NA RUA
São Paulo, madrugada. Uma moto desce sozinha a rua Augusta, sem motorista, perseguida por um homem desesperado. Testemunha desse surrealismo urbano, Alcebíades — quarentão, inteligente, cheio de cicatrizes — vê na cena um espelho de sua própria existência: uma vida que segue desgovernada, sem controle, apenas na inércia da gravidade. Esta imagem abre e fecha a noite em que Alcebíades, já há anos morando nas ruas, narra sua história a João, um companheiro de calçada e cachaça. Entre um gole e outro, desdobra-se uma trajetória que é muito mais que um relato sobre alcoolismo: é uma filosofia marginal, uma teologia da rua, uma renúncia consciente à normalidade.
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